Aos meus afilhados

Quem me conhece sabe que levo muito a sério a tarefa de ser dinda. Pois bem, tem sido extremamente díficil sair da convivência dos meus afilhados justo na primeira infância deles.

Meu primeiro afilhado se chama Davi, ele tem quase 4 anos. Ele também é meu sobrinho, filho da minha irmã Daiane que sempre foi minha irmã meio mãe. A gravidez da Daia foi super esperada por toda a família e a vinda do Davi foi uma alegria sem tamanho para todos nós. Acompanhei tudo de perto, porque sempre estive perto, fiquei nervosa na hora do parto, fiquei nervosa nas primeiras vacinas e doenças de bebê e mais do que isso fiquei nervosa porque nunca tinha tido um bebê tão perto de mim e pude aprender bastante coisa sobre bebês estando pertinho do Davi. O nascimento do Davi também veio junto com o nascimento da minha relação com o Sérgio e isso é íncrivel porque no meio da novidade de ter o Davi na família, a família também estava ganhando o Sérgio, e consequentemente o Davi estava ganhando mais um amigo, tio, dindo de coração também.

Meu segundo afilhado veio quase 1 ano e meio depois do Davi, o Enzo, com agora quase 3 anos. O Enzo é filho da Claudia, prima do Sérgio e foi uma alegria imensa ser dinda junto com o Sérgio. Ter essa responsabilidade. Ficamos com mais cara de casal e fizemos a promessa de não nos separar até os 18 anos do Enzo, hehehe. Foi uma outra história, primeiro porque o Enzo não foi o primeiro filho, como o Davi foi, o Enzo é o segundo, o caçula, e eu me identifico com isso. Muitas vezes defender o Enzo do irmão mais velho me fazia lembrar de todas as vezes que precisei ser defendida porque era a menor, a mais frágil, etc. Isso é íncrivel, poder ver e relembrar situações que passamos acompanhando o crescimento das crianças perto de nós. Com a experiência de já ser dinda, já não tinha tanto estranhamento com bebês, mas tinha o desafio de estar ainda mais perto, porque não era a minha família, não era quase sempre na minha casa, é uma relação a ser construída todo o tempo. E também é maravilhoso essa conexão de famílias, minha e do Sérgio. Isso diz muito sobre como levamos nossa relação.

Quando tive a ideia do Blog, até me passou pela cabeça fazer algo dedicado a eles, no sentido de contar o que estava vivendo diretamente pra eles. Mas, isso pode se tornar uma sessão a parte do blog. Também porque seria muito díficil escrever todos os posts pensando neles, porque iria acontecer o que está acontecendo agora enquanto escrevo: iria chorar sempre.

Crianças são íncriveis e quando se trata de mudança elas não se preparam antes, elas sentem a falta depois que a partida foi feita. Adultos também, mas adultos acham que estão preparados. Lembro de ter conversado com o Davi um dia sobre eu ir morar na Costa Rica e falar pra ele que nos falaríamos pela tela do IPad mas naquele momento isso era algo que não estava acontecendo. Era algo falado mas não realizado. Crianças precisam da realização para sentir.

Acredito que o mais díficil na parte de estar longe deles é que crianças são bem dificeis em relação a se deter a uma conversa de Skype. Estar com crianças é estar em contato com elas. Exatamente o estar perto que te faz ser importante para uma criança. Atualmente estou lendo um livro sobre o Amor, na visão da Psicologia Positiva, em que traz o amor como uma conexão de positividade. E nesta visão, quando se está longe de alguém sem conexão, não se está amando, porque isso é algo que acontece no nosso corpo, no aqui e agora. No contato. E fiquei pensando o quanto isso é verdadeiro quando se trata de crianças. De adultos também, mas crianças nos ensinam isso o tempo todo. As crianças amam o viver, o sentir, o tocar, o se envolver. As crianças não precisam dizer eu te amo o tempo todo, mas elas transmitem amor quando estão brincando com a gente, quando estão cantando, quando estão dançando. Crianças vivenciam o amor no corpo e vivenciamos o amor para elas assim também.

Frente a tudo isso, eu fico muito muito triste de não estar vivenciando isso tudo com eles nesse momento. Vivenciando algo que realmente nutria meu viver diariamente. Mas eu me sinto melhor quando penso que crianças são bem mais espertas e adaptáveis do que eu. Elas estão se adaptando a minha ausência muito mais fácil do que eu estou. Porque crianças sabem como viver bem de verdade. Crianças sentem saudades mas íncrivel é que expressam isso quando no reencontro, transbordando amor e alegria de reencontrar a pessoa querida.

Não sou do tipo de pessoa que compensa a ausência com objetos materiais, mas acredito que vou compensar a ausência ensinando a esses dois pitocos lindos que o mundo é bem maior que nós estamos acostumados a conhecer e que podemos circular por muitos lugares e continuar tendo um lar dentro do nosso coração, que será escolhido por eles.

Para Davi e Enzo:

Amo vocês com todo meu coração.

Dinda Bruna.

1 comentário Adicione o seu

  1. Vanessa disse:

    Lindo Bruna!!!!

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s