Partir e realmente chegar.

 

Do dia que decidimos vir para Costa Rica até o dia da nossa partida, vivemos 6 meses, cheios de expectativas e preparação.

Nesse meio tempo, nós casamos no Civil, fizemos várias viagens com a família, fizemos lua de mel, fizemos uma festa de despedida, largamos nossos empregos e aproveitamos muito cada segundo antes de partir junto de todos que amamos. Ah, não menos importante, nesse meio tempo também finalmente consegui tirar minha carteira de motorista! 😀

Foi um processo de desapego. Desapego material mesmo. Lembro do dia que separamos todos os livros que queríamos vender no sebo. Lotado o porta-malas do carro, descemos com várias e várias sacolas. Alguns livros eu até tinha comprado em sebo também e para lá estavam voltando novamente. Fizemos uma limpa geral no guarda-roupas e acabei por perceber que temos coisas de mais e que utilizamos de menos.

Morar no exterior sempre foi algo que me encantava demais, achava maravilhoso poder conhecer outra cultura, viver outro cotidiano, descobrir coisas sobre mim mesma estando fora de tudo que me protegia como pessoa. E que me fazia ser aquela pessoa. Em alguns momentos antes de vir, pensava que não sabia exatamente o que estava sentindo, parecia que estar passando por aquilo tudo era algo que sempre quis mas no fundo não tinha ideia de como seria ser estar nesse papel. Quando olhava amigos fazendo esse percurso, tentava sentir o que se passava, mas na realidade, só passando para saber o que sentimos, e acho mesmo que é tanto sentimento junto que fica difícil entender todo esse processo.

Esse desapego de sentimentos tão normais que temos para sentimentos totalmente novos, também é uma descoberta. E essa descoberta começa antes de partir. Descoberta de como as pessoas estão reagindo com essa mudança, vi meus pais, meus irmãos numa frequência diferente já que sabiam que daqui uns meses existiria o vazio da minha pessoa naquele ambiente que sempre ocupei. E eu acho isso estranho para caramba. Principalmente pra minha família que sempre esteve todos lá juntos.

As pessoas não falam muito sobre o partir, falam mais sobre o chegar. A partida para mim também foi importante parte do processo de chegar. Eu estou há pouco mais de um mês fora e ainda sinto que não parti totalmente, ainda não me adaptei com o fato de estar longe. Acredito que estar longe é bem relativo, mas, quando se está num processo de adaptação, você ainda não partiu totalmente e nem conseguiu chegar totalmente. Quando decidimos realmente chegar, colocamos os pés no chão de onde estamos pisando e partimos para descobertas. Mas, não é tão simples também, colocar os dois pés aonde estamos pisando é bem bonito na teoria, mas na prática, não muito.

Existe o papo poético de que seu lugar é onde seu coração está, e tudo mais, mas eu tenho sentido que meu lugar é onde estou realmente adaptada. Em Porto Alegre eu era extremamente adaptada, conseguia me deslocar de ônibus por toda a cidade, sabia quais lugares eram confortáveis e seguros de passear, conhecia os bairros, conhecia os mercados, as cafeterias, conhecia as lojas de comprar melhor. Eu até gostava de ir no centro, porque me sentia bem, sentia que poderia ir em tais lugares e ficar feliz. Não me sentia insegura em nenhum lugar. Era bem adaptada. Era bem ambientada com a cidade e o que ela poderia me proporcionar.

Aqui na CR passei por um processo diferente. Nós chegamos e fomos para um apartotel que fica em Escazú (cidade dentro da Província de San José). Mas, como a empresa do Sérgio fica em Heredia, optamos em morar em Heredia. Ficamos exatamente um mês em Escazú e estava começando a me sentir ambientada. Já conseguia pegar ônibus para lugares úteis, andar pelas ruas e entender aonde ficavam as coisas que precisava. Mas, há quase duas semanas viemos para nosso apartamento que fica na cidade de Heredia, na província de Heredia. Tudo novo de novo.

Meu coração sinto que está tentando bater em outro país de forma tranquila mas sempre estará perto da minha família e dos meus melhores amigos. Nosso coração transmite amor e amor se espalha.

Acredito que no próximo post eu falarei mais da chegada.

Agradeço tua visita.

Bruna.

6 comentários Adicione o seu

  1. Muito legal, Bruna! Penso que escrever torna as coisas mais ‘digeríveis’, mais conscientes em nossa cabeça e em nosso coração. Adorei! 🙂

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    1. Andréa querida, a escrita é uma das minhas grandes companheiras em momentos dificeis para digestão. Seja sempre bienvenida!
      beijo grande!

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  2. Patricia disse:

    Gostei Bruna! Que tenha uma ótima vida na CR, tudo é questão de se adaptar mesmo,dê tempo ao tempo! bjinhos

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    1. Verdade, o tempo vai ajudando tudo. Beijos! 😀

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  3. María Acuña disse:

    Bruna, se adaptar é um processo lento, mas uma hora -quase sem perceber- ele chega.
    Perguntem sempre para as pessoas qualquer dúvida que tenham, o pessoal no meu país é bem simpático e disposto a ajudar (coisa bem diferente a POA jeje).
    Tenha muita paciência, é necessária neste processo.
    Grande abraço!

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    1. Bah, verdade, hoje eu me sinto culpada por nao ter te chamada pra ir lá em casa, comer churrasco, não realizava o quao difícil é estar longe de casa. Mas, sim, estou ao máximo me esforcando pra entender melhor tudo e escrever sobre isso me ajuda bastante. Beijo!

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